segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Da série meu pai é comédia

Dizem que nossos pais são nossos modelos, e que modelo.

Certo dia meu modelo resolveu ir com um grupo de amigos para uma micarê. Como de praxe, muitos excessos e perdições.
pras tantas da manhã. Minha irmã entra no meu quarto querendo quebrar tudo e diz com aquela voz doce de quem está possuída pela cão, "Meu pai quer falar com você". De prontidão peguei o celular e dispensei a enviada para que pudesse seguir no seu sono de exorcismo.
Demorei de uns 5 a 10 minutos para entender que era meu modelo ao telefone. Com aquela fluência de bebê que recém aprendeu a balbuciar e os pais acharam lindo por que ele falou coisas como "fleuba"(me aproveitando de seriados conhecidos), eu me prontifiquei e virei psicólogo de animais.
Lá pra 20 minutos de conversa eu entendi que ele precisava que eu buscasse ele por que tinham roubado o seu carro. Na hora já fiquei meio assim , carro roubado é sempre um coisa complicada. Levantei num pulo só e toquei meu bonde pro destino do suricate alcoolizado (é a melhor forma de descrever a forma física da pessoa em questão).
Chegando lá, já comecei a procurar o carro e pedi que ele me dissesse aonde (mais ou menos) ele tinha parado o carro. Depois de quase uma hora procurando o carro, nada, nada mesmo. Não pude realmente aceitar o fato que o carro tivesse sido realmente roubado.
Na saída perguntei se ele não queria ir a polícia para prestar queixa, ele disse que não, que estava meio mal e que precisava ir pra casa. Como um bom filho, o deixei em casa e me dirigi a minha residência onde encontrei a minha irmã endemoniada me esperando para que eu a levasse para a escola.
Perto do almoço me liga o suricate não tão alcoolizado e pergunta se eu posso leva-lo no local do show. Já me veio na cabeça, "o fdp perdeu a po.. do carro e achou que tivessem roubado". Busquei ele no local combinado e fomos de encontro ao estacionamento vazio, que continha um carro apenas e que coincidentemente era o dele, e que por ironia do destino se encontrava no local totalmente oposto ao que ele tinha me indicado na madrugada.
Rolou aquela troca de olhar amistosa, eu com aquele olhar fulminante de "Seu pinguço" e ele com aquele "foi mal , mas valeu".
Sai de lá com a vontade de empurrar ele pra fora da pista e fazer ele bater num poste, mas devido aos ensinamentos do meu mestre vulgo "Mc Leozinho", eu to tranquilão, numa boa e junto com o batidão a vontade de vingança foi passando.

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